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Chat com Biquini Cavadão
(26/4/2006)


Moderador 17:48:46
Biquini CavadãoBiquini Cavadão
O Biquini Cavadão fará nesta semana mais uma apresentação na capital paulista. Desta vez a banda estréia no palco da casa City Hall, localizada no Itaim Bibi. O repertório serão as canções de Biquini Cavadão Ao Vivo, lançado no ano passado. Os integrantes prometem mostrar os sucesso Tédio, Janaína e Vento Ventania e ainda as versões que fizeram para Timidez e Chove Chuva, de Jorge Ben Jor. Haverá também a participação especial de Patrick Laplan (ex-Los Hermanos) no baixo e Walmer Carvalho nos metais. Em 2005, o Biquini ganhou o prêmio DVD de ouro ao vender mais de 27 mil cópias e fez a sua terceira melhor marca em turnê, conseguindo marcar presença em 94 palcos, incluindo dos Estados Unidos.


Moderador 19:50:24
Milena diz: Sou muito fã do Biquini Cavadão. Gostaria de saber se há uma diferença de energia do público atual com o de alguns tempos atrás.


Moderador 19:51:56
Felipe Rocha diz: Qual a mensagem que quiseram passar com a música "Múmias"?


Bruno e Miguel 20:00:57
Milena, houve uma evolução natural da banda no palco. Não é uma questão da energia do público, mas sim de como nós nos colocamos para o público. Isto aconteceu por meio da experiência. O tempo foi passando e aprendemos a lidar mais com as pessoas. O público reage a esta energia. No começo nós mesmos éramos muito inexperientes.


Moderador 20:01:41
Josi diz: Oi, li que estão esperando pelo show no City Hall. O que haverá de especial nesta apresentação? Um beijão!


Bruno e Miguel 20:03:15
Felipe, a música foi feita em 1885/6 durante a guerra fria e falava sobre o risco de a Terra acabar por causa da competição entre os Estados Unidos e União Soviética. Acho que tem a ver com o medo da guerra. A mensagem maior era que estávamos perdendo o tempo de vida se preocupando com a guerra. A música é uma ficcção científica. A história era sobre uma invasão extraterrestre, mas quando eles chegavam o mundo já tinha acabado antes. A letra é uma brincadeira da ficção científica, mas fala algo sobre a falta de vida.


Moderador 20:04:12
dani diz: O que acharam da visita do Bono ao Lula? É possível misturar música com política?


Bruno e Miguel 20:05:29
Já eu, Miguel, acho que a interpretação de uma letra é muito pessoal. Só agora, 21 anos depois, eu descobri que a letra foi escrita pensando em uma invasão extraterrestre. Há uma outra música que também interpretamos de forma diferente. Acho que a arte com um todo tem a ver com aquilo toca quem enxerga. Ela foi regravada em 2001 e casou justamente com o taque às torre gêmeas. Eu enxervaga a música com uma guerra interna, uma guerra subjetiva.


Bruno e Miguel 20:09:27
Josi, vai ser um show, mais um em São Paulo, isto já o torna especial porque temos uma grande público aqui e não fazemos tantos shows... Nós tivemos no ano passado em São Paulo em uma casa pequena também. Acho que a animação do público é o que faz diferença... Já fizemos show para 7 mil pessoas e não foi tão legal... A quantidade de público não muda a motivação.


Moderador 20:09:30
Frank diz: Bruno, você acha que a época mais criativa do rock brasileiro foi pré mangue beat? Quais são os divisores de água do rock brasileiro?


Bruno e Miguel 20:12:30
dani, eu acho que o artista às vezes cumpre um papel de levar uma mensagem, sim. Às vezes ele se expõe pessoalmente, falando para uma quantidade grande de pessoas. Nós da banda evitamos exposição pessoal - acho que há coisas que independente de partidos e opinião. Acho que há coisas que devemos falar, cobrar mais de seus políticos. Sob este aspecto, acho que pode-se misturar arte com política. Acho que isto é uma característica de Bono Vox, ele conversa com chefes de estados, não foi com o Lula. Há ali um cara que é conhecido por sua militância e por acreditar em soluções para um mundo melhor.


Moderador 20:13:26
Clara diz: Oi, Bruno, gostaria de parabenizá-lo pelo DVD ao vivo. Gostaria de saber como foi feita a escolha de Fortaleza para a gravação. Um grande beijo para todos, principalmente para o Patrick Lapan.


Moderador 20:14:03
Erika diz: Vocês já pensam em novo disco? Beijos e muito sucesso!


Bruno e Miguel 20:16:43
Frank, acho que não é todo dia que você consegue juntar um naipe de compositores como Arnaldo Antunes, Cazuza, Herbet Vianna, Renato Russo... Isto não acontece sempre. Na décade de 60 houve outra exploração de incríveis compositores: Milton, Caetano, Gil... Acho que neste sentido houve uma riqueza das letras. A década de 90 trouxe muitas coisas boas: John, do Pato Fu, Yuka, que criou O Rappa... é inegável o talento de Marcelo Camelo. O que houve em 80 foi uma concentração de bons compositores. Às vezes estes artistas começaram na década de 80, mas se tornaram conhecido nos anos 90. Acho que com o fim da censura as pessoas puderam falar tudo o que estava engasgado, acho que as coisas antes poderiam ser mais politizadas, em função de um momento que se passava na época... Acho difícil dizer que foi a melhor época. Acho que as bandas de hoje tocam muito melhor do que nós; elas estão mais preparadas.


Moderador 20:20:00
Najara diz: Qual a pior fase que o Biquini passou?


Bruno e Miguel 20:20:18
Clara, smack! Nós fizemos o primeiro Ceará Music em 2001 e houve uma empatia muito grande neste festival e começamos a ver que Fortaleza poderia ser uma cidade que precisava ter aquela energia registrada. Existem às vezes muitos pré-conceitos em relação ao Nordeste e ao rock. Muito legal escolher Fortaleza. Foi bom o Biquini tocar em Fortaleza e ver o quanto as pessoas curtem o rock brasileiro. As pessoas do Sul desconhecem a grande quantidade de festivais de rock que são feitos no Norte e Nordeste: Piauí Pop está na terceira edição, há o Mada, o Abril Pro Rock...


Bruno e Miguel 20:21:06
Erika, brigado. Já estamos desde o ano passado no novo disco. Queremos fazer um de inéditas, gravá-lo ainda neste ano e lançá-lo em 2007.


Moderador 20:21:49
Renata diz: Eu simplesmente sou apaixonada pelo Bruno. Como foi a mudança de gravadora?

Continua